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Transposição: água pode não chegar a todas bacias

Imagem retirada de http://www.otempo.com.br/capa/brasil/transposi%C3%A7%C3%A3o-%C3%A1gua-pode-n%C3%A3o-chegar-a-todas-bacias-1.1042892
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Com a crise hídrica e a previsão de diminuição da vazão do rio, as obras de transposição do São Francisco – iniciadas em 2007 e prometidas pelo governo como solução para a seca do Nordeste –, se mostram cada vez mais insustentáveis.

O presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF), Anivaldo de Miranda, explica que os canais da transposição foram licenciados com vazão mínima, média e máxima. Em tempos de escassez severa, os canais vão ter que praticar uma vazão mínima de 26 metros cúbicos por segundo (e máxima de 127 metros cúbicos). “Essa vazão mínima, evidentemente, não atende as expectativas das bacias receptoras do Rio Grande do Norte, Paraíba, Ceará e parte de Pernambuco”, diz.

Com isso, as bacias receptoras que serão beneficiadas com a transposição vão passar a viver o mesmo dilema que a bacia do São Francisco vive. “O comitê foi um crítico do projeto da transposição, mas, depois que as obras começaram, nós, evidentemente, entendemos que existe uma nova pauta e que agora, quando a transposição funcionar, os Estados das bacias receptoras passarão a fazer parte da grande família da bacia do São Francisco. Mas isso, tanto para as coisas boas como para os tempos difíceis”, afirma.

Dessa forma, Miranda ressalta que o projeto da transposição vai ficar completamente subordinado, agora, à questão da crise hídrica do São Francisco.

Crítico do da transposição, Miranda prefere deixar “a palavra com os que idealizaram e estão tocando o projeto”, mas completa: “Evidente que o comitê considera que muito recurso foi investido e nós esperamos que o clima possa ajudar. Mas a expectativa é de que esse projeto da transposição nunca vá funcionar. Não tem água. A vazão mínima não atende as expectativas da bacias receptoras. Está todo mundo achando que vai chegar um mundo de água para irrigar, e não vai. Isso vai ser um negócio tão estarrecedor que não quero nem pensar”.

Fonte: O Tempo, escrita por Litza Mattos