Notícias

Tecnologia a serviço do consumo racional da água

Imagem retirada de http://www.centralgraos.com.br/wp-content/uploads/2015/06/k3-1024x682.jpg
Imagem retirada de http://www.centralgraos.com.br/wp-content/uploads/2015/06/k3-1024x682.jpg

Sabe aquela história de ir para o campo para fugir da tecnologia? Esqueça. Pelo menos, no que se refere à agricultura, o desenvolvimento de produtos e aplicativos vem se tornando essencial para o ganho de eficiência. Além dos benefícios para os empresários e agricultores, essas ferramentas contribuem para o meio ambiente, facilitando a racionalização do consumo de água e, consequentemente, a redução do desperdício.

Entre essas novidades, está o aplicativo Agrosmart, desenvolvido por uma empresa do mesmo nome, sediada em Itajubá, no interior de Minas Gerais. O software recebe dados de sensores espalhados na plantação, analisa-os de acordo com as especificações da área e do cultivo e, por fim, envia recomendações aos agricultores. Informa, por exemplo, quais são os melhores momentos para irrigar, plantar e colher, além de riscos de doenças e deficiências do solo.

"Começamos a empresa em setembro de 2014, porque já vivíamos em um círculo social ligado a essas questões, sabíamos das preocupações dos produtores e, sobretudo, da insegurança nas tomadas de decisão. O objetivo inicial era justamente dar mais segurança nessas horas", explica a administradora Mariana Vasconcelos. No ano passado, o Agrosmart conquistou o primeiro lugar entre 562 projetos do país, em uma competição promovida pela Singularity University (EUA). Por causa disso, a partir de junho, Mariana participará de um programa de gestão na instituição de ensino norte-americana, que é parceira da Nasa. No retorno ao Brasil, ela também terá bolsa em um MBA na faculdade de tecnologia Fiap.

Todos os projetos que concorreram a essas premiações focavam no uso da água. No caso do Agrosmart, o impacto em relação a esse recurso é a racionalização do consumo. "Com o aplicativo, os produtores podem entregar para a planta o que ela precisa, aumentando a produtividade e poupando água e energia", explica Mariana. Segundo ela, a economia de eletricidade é variável, mas a de água, de acordo com os testes do aplicativo, é de aproximadamente 60%. O Agrosmart acaba de ficar disponível no mercado, mas a empresária prefere não divulgar uma faixa de preço. "Indicamos para que entrem no nosso site (http://www.agrosmart.com.br/) e preencham o formulário. Então, analisamos, entramos em contato e enviamos um orçamento."

No final de maio, também devem chegar ao mercado os sensores de diedro fixo e portátil, desenvolvidos pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e licenciados pela Tecnicer Cerâmica. Entre junho e setembro, serão lançados os sensores IG para mercado doméstico, com sinal pneumático e com sinal elétrico. Os itens custarão entre R$ 10 e R$ 160 e terão públicos diferenciados, desde pequenos e médios produtores de frutas e hortaliças até grandes agricultores do Brasil e do exterior.

Segundo o pesquisador responsável pelo desenvolvimento dos produtos, Adonai Calbo, é importante que os agricultores se acostumem a utilizar sensores. "Independentemente de serem desenvolvidos pela Embrapa ou não, eles ajudam a reduzir o gasto de água. Sem eles, muitas vezes, irriga-se em excesso, por medo de a produção ser baixa. Então, há casos de aplicação de 30%, 40% e até o dobro de água do que o necessário", explica. Para Calbo, a rejeição a essa tecnologia, frequentemente, está ligada à ideia do alto custo. Ele, no entanto, considera que o retorno vem rapidamente, entre seis meses e um ano.

À parte a questão do desperdício de água, Calbo e Mariana ressaltam que o excesso de irrigação pode provocar, na verdade, perda de produtividade, devido à perda de nutrientes do solo. Outra consequência possível é a poluição. "Quando se coloca água demais, isso pode fazer com que os adubos sejam lixiviados, passando aos lençóis freáticos. Alguns desses fertilizantes podem contaminar os lençóis freáticos. É um ciclo, em que se joga tudo fora", afirma o pesquisador da Embrapa.

Fonte: Diário de Pernambuco, escrita por Tiago Cisneiros