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Rio 2016: especialistas analisam risco da água contaminada para atletas

Imagem: AP Photo / Silvia Izquierdo
Imagem: AP Photo / Silvia Izquierdo

O G1 ouviu especialistas nas áreas de biologia e infectologia para saber quais são os riscos que um atleta ou qualquer outra pessoa pode sofrer ao entrar em contato com as águas dos locais de prova das Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro.

Um estudo encomendado pela agência Associated Press (AP) analisou as águas da Baía de Guanabara, da Lagoa Rodrigo de Freitas e da Praia de Copacabana, onde acontecerão provas durante as competições, e apontou alto risco de contaminação.

Veja abaixo as análises de especialistas:

Risco de hepatite

“O maior risco de uma pessoa que venha acidentalmente a ingerir a água da Baía de Guanabara é pegar as chamadas doenças diarreicas [que causam diarreia]. Mas também é possível pegar hepatite A, caso a pessoa que não tenha sido vacinada. O mais comum são as doenças que causam problemas gastrointestinais e náuseas.”

Mercúrio na água

“Ela [Baía de Guanabara] é contaminada não só com bactérias e coliformes fecais, mas também com metal pesado. Além dos atletas, quem sofre com a poluição são os peixes. A água é poluída com mercúrio. O mais grave para mim é a vida marinha. Os atletas vão ficar uma semana e vão embora. Para recuperar e deixar a baía com boas condições será preciso 20 anos de um trabalho contínuo dos governantes”.

Marcelo Szpilman, biólogo marinho e diretor-presidente do Museu Aquário do Rio de Janeiro (AquaRio), que será inaugurado em 2016.

'Diarreia do viajante'

“Dentro da Baía de Guanabara, tem que levar em consideração a quantidade de vírus que existe ali. Existe a chamada 'diarreia do viajante'. Quando uma pessoa sai de locais com níveis de higiene melhor para higiene pior, eles acabam contraindo alguma doença. Quando você entra em contato com níveis higiênicos piores, causa doença. Então é possível que os atletas contraiam doença. Mas isso depende. Um cara que participa de uma regata de uma hora tem menos chance de pegar uma doença do que uma pessoa que vai ficar nadando em contato direto com a água, tudo tem que ser visto. Quanto maior o tempo que você vai ficar exposto, pior pode ser a doença que você pode adquirir.
O maior risco de uma pessoa que venha acidentalmente a ingerir a água da Baía de Guanabara é pegar as chamadas doenças diarreicas. Mas também é possível pegar hepatite A, caso a pessoa que não tenha sido vacinada"

O objetivo dos atletas tem que ser o de minimizar riscos. Isso significa diminuir tempo de exposição a essas águas, tomar algumas vacinas e tomar medidas preventivas para diminuir a possibilidade de contrair doenças. Mas uma pessoa que toma vacina contra um tipo de doença, fica exposta a outras, então não é uma prevenção total."

Atletas na 'latrina'

“No máximo, a Cedae vai evitar que a Marina da Glória continue a latrina que é. Isto, no máximo. Em agosto, no pré-olímpico, os atletas serão colocados na latrina. Foi assim no Pan e agora nos Jogos. Investiram em marketing e numa realidade cor-de-rosa. Um dia a casa cai. O que vai dar para fazer efetivamente é tentar reduzir a quantidade de resíduos sólidos: lixo flutuante. Não tem nada a ver com esgoto. Em relação a saneamento só é possível melhorar um pouco a Marina da Glória”.

Mário Moscatelli, biólogo (no vídeo, veja entrevista à GloboNews).

Governo critica metodologia

Em nota, o Governo do Rio disse que "a metodologia utilizada pela Universidade de Nova Hamburgo não foi apresentada". "Cabe destacar que a instituição segue outros critérios de medição, que não foram utilizados em nenhuma edição anterior dos Jogos Olímpicos".

O governo afirma ainda, no texto, que não há informação oficial, nos últimos seis anos, de alguém que tenha contraído doença por contato com a água da Baía de Guanabara ou da praia de Copacabana.

"Estamos tranquilos: a qualidade da água está dentro dos padrões internacionais", disse o secretário-chefe da Casa Civil, Leonardo Espíndola, na nota enviada pela assessoria de imprensa.

Instituto

Também em nota, o Instituto Estadual de Ambiente (Inea), órgão público responsável por analisar a qualidade da água no Rio de Janeiro, afirma que não reconhece a metodologia aplicada na análise da água feita pela Universidade de Novo Hamburgo. Segundo o Inea, a "Universidade está parecendo buscar notoriedade".

O Inea afirma ainda que não existem padrões de balneabilidade para vírus. E que, tanto de acordo com o padrão europeu quanto o americano, a água está dentro dos parâmetros para a realização dos eventos-teste e das provas olímpicas.

Fonte: G1, escrita por Cristina Boeckel, Gabriel Barreira e Matheus Rodrigues