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Quantidade de água furtada descoberta pela Sabesp dobra

Imagem: Nilton Cardini/Estadão Conteúdo
Imagem: Nilton Cardini/Estadão Conteúdo

O volume total de água furtada na Grande São Paulo descoberta pela Sabesp foi de 1,9 bilhão de litros no 1º semestre de 2015, quase o dobro do que foi registrado no mesmo período de 2014. De janeiro a junho do último ano foram desviados 998 milhões de litros. Os dados foram divulgados pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo nesta quinta-feira (23).

Esses quase 2 bilhões de litros consumidos e não pagos pela população poderiam abastecer por um mês uma cidade de cerca de 200 mil habitantes, como Cotia (34 km da capital). De acordo com a Sabesp, foram realizadas 100 mil vistorias com a ajuda de 70 equipes contratadas.

A empresa identificou 8,6 mil casos de furtos de água na Região Metropolitana de São Paulo neste ano. Esse número de ocorrências representa um aumento de 28% com relação ao mesmo período de 2014, que registrou 6,7 mil desvios. São 48 irregularidades por dia, em média, identificadas pelas equipes de combate às fraudes da Sabesp.

Desses furtos de água registrados em 2015, 7,4 mil foram feitos por residências, 750 por estabelecimentos e 450 por imóveis de uso misto e indústrias. A forma mais comum da realização do crime é por meio da violação do hidrômetro, que soma 55% das ocorrências, seguida pelas ligações clandestinas, com 41% dos registros.

Além das equipes de caça fraude, a Sabesp conta com informações do Disque-Denúncia (número 181) ou pelo 195. Neste semestre, as ligações para o 195 aumentaram em 68% e, pelo Disque-Denúncia, 225%.

O prejuízo foi de R$ 15 milhões. O número está próximo ao que foi registrado em todo o ano passado, que foi de R$ 17,4 milhões. A pena para os fraudadores é de um a quatro anos de reclusão, além da multa.

Crise hídrica

O nível de água do Sistema Cantareira caiu pela terceira vez na semana passando de 19% para 18,9% nesta quinta-feira (23), segundo dados divulgados pela Sabesp.

É o quarto dia seguido que o conjunto de represas não recebe nenhuma chuva, o que mantém o acumulado do mês em 44% do previsto. Todos os sistemas tiveram queda nesta quinta-feira. Acompanhe o nível de outros reservatórios.

O Cantareira, que abastece 5,3 milhões de pessoas na Grande São Paulo, terminou junho com menos chuvas que o previsto, a exemplo do que também ocorreu em abril e maio. A chuva do mês passado também não foi boa para os demais reservatórios que abastecem a Grande São Paulo. Com exceção do Sistema Rio Claro, que recebeu mais que o dobro do previsto, todos os demais ficaram abaixo do esperado.

O Guarapiranga, hoje o principal sistema da Grande São Paulo, com 5,6 milhões de pessoas atendidas, registrou 27,2 mm de precipitação em junho, pouco mais da metade do esperado.
 

O governador Geraldo Alckmin voltou a descartar a implantação de um racionamento, mas a crise hídrica ainda não chegou ao fim. O Cantareira terminou a estação chuvosa, encerrada em  maço, com apenas a segunda cota do volume morto recuperada, ou seja, a primeira cota ainda não foi reposta e o manancial segue operando no vermelho.

Abastecimento

O Sistema Cantareira, que já foi o principal da Grande São Paulo, atendendo 8,8 milhões de pessoas, teve uma nova redução no número de clientes, passando de 5,4 milhões para 5,3 milhões, informou a Sabesp.

Os 200 mil clientes tirados do Cantareira foram incorporados pelo Sistema Rio Claro, que abastece 1,5 milhão de pessoas na Grande São Paulo. Isso foi possível após a conclusão, no dia 30 de maio, de uma ligação entre duas adutoras na Vila Ema, Zona Leste.

Com a obra, os bairros da Mooca, São Mateus, Vila Formosa, Vila Alpina e Sapopemba passam a ser atendidos prioritariamente pelo Sistema Rio Claro, que agora responde por 80% da água fornecida. Os demais 20% ficaram com o Cantareira.

Até 2013, antes da crise, a proporção era inversa: o Cantareira fornecia cerca de 80% da água consumida nesses locais, contra 20% do Sistema Rio Claro.

Índices

O índice de 19,0% do Cantareira divulgado pela Sabesb considera o cálculo feito com base na divisão do volume armazenado pelo volume útil de água. Após ação do Ministério Público, aceita pela Justiça, no entanto, a Sabesp passou a divulgar outros dois índices para o Sistema Cantareira.

O segundo índice leva em consideração a conta do volume armazenado pelo volume total de água do Cantareira. Nesta quinta, ele era de 14,6%. O terceiro índice leva em consideração o volume armazenado menos  o volume da reservatécnica pelo volume útil. Nesta quinta, o índice era de -10,4%.

Fonte: G1