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Para onde vai a economia brasileira e mundial, segundo o Itaú

Imagem retirada de http://diadebrilho.com/nao-consigo-guardar-dinheiro/
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Apesar de avançar na agenda fiscal, o Brasil ainda vai ter que esperar um pouco para ver a recuperação da economia em dados concretos.

A estimativa do Itaú Unibanco é que o PIB do 3º trimestre, a ser divulgado daqui um mês, vai trazer uma nova contração de 0,5% após a queda de 0,6% no 2º tri.

“Nessa fase do ciclo é normal ter muita volatilidade dos dados. Nem os fundamentos nem as nossas projeções mais para a frente mudaram muito”, disse o economista Felipe Salles em reunião com jornalistas nessa quinta-feira (27).

Os últimos dados de atividade vieram mais fracos do que o esperado, mas os estoques da indústria teriam chegado a um ponto em que exigem mais produção mesmo sem recuperação da demanda.

A previsão do banco é de crescimento da economia brasileira de 2% em 2017 e 4% em 2018, mas mesmo assim o PIB só voltaria em 2019 para o pico registrado no início de 2014.

É um total de 5 anos perdidos, prazo ainda maior na conta de PIB per capita.

As recessões deixam marcas perenes que só vão ser entendidas com o tempo: não se sabe ainda o nível de destruição de capital ou de desperdício das habilidade dos trabalhadores que ficam fora do mercado.

A boa notícia é que o investimento deve se recuperar diante de uma combinação virtuosa de juros em queda, commodities estáveis e desalavancagem das empresas.

A recuperação do consumo só deve ficar para 2018, quando o mercado de trabalho voltar a mostrar uma dinâmica mais positiva.

Mário Mesquita, economista-chefe do banco, também notou que o teto de gastos causará uma “revolução cultural” nos parlamentares ao explicitar para a sociedade as escolhas do Orçamento.

Mundo
A previsão geral do Itaú é que as economias emergentes voltem a se destacar no cenário mundial nos próximos anos, aumentando seu diferencial de crescimento em relação aos países mais desenvolvidos.

“Isso também tem a ver com a esperada melhora de alguns emergentes importantes como Brasil, Rússia e Argentina”, diz Mesquita.

O risco de uma vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais americanas é considerado “baixo, mas não desprezível” e causaria desvalorização de moedas emergentes em relação ao dólar.

O risco é que um presidente Trump cause instabilidade e seja mais protecionista, afetando a moeda de grandes parceiros comerciais como o México, como já preveem alguns estudos.

No cenário-base, o diagnóstico do Itaú Unibanco é que a política monetária no mundo rico chegou a um limite: não dá mais nem para cortar juros nem para aumentar o estoque de ativos dos bancos centrais com o objetivo de estimular a economia.

A previsão é de uma zona do euro crescendo perto do potencial, Japão com 3 anos de crescimento (ainda que baixo) e Reino Unido sentindo os efeitos da saída da União Europeia (mas sem chegar a entrar em recessão).

Fonte: Exame.com, escrito por João Pedro Caleiro