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Gestão da Água – assunto muito sério!

Foto: Por Aline Matos
Foto: Por Aline Matos

Estamos vivendo um momento especial em relação a falta de chuvas e por conseguinte da falta de água em vários estados brasileiros, especialmente do sudeste onde o fenômeno não é assim tão comum.

O Estado do ES vem experimentando sua dose de sacrifício, principalmente no norte do estado onde os rios estão na sua capacidade mínima trazendo desconforto e perdas nas áreas estratégicas do agro negócio onde a produção já se mostra 50% menor do que nos anos normais, em especial a cultura do café. Apesar das últimas chuvas, ainda não podemos nos tranquilizar e o que nos resta é fazermos a nossa parte, ou seja, identificar os pontos críticos e agir no sentido de eliminar perdas e ECONOMIZAR. Esta é a palavra de ordem.

A seguir destacamos do livro, Como cuidar da nossa água, alguns pontos importantes para nossa ação positiva em relação ao gerenciamento da água.

DESPERDÍCIOS
Se, por um lado, a poluição ameaça a água de que dispomos, por outro, o uso irrefletido também representa risco. Cada vez mais é importante a conscientização de que os recursos hídricos são limitados e o seu desperdício tem consequências. Cada setor da economia, cada fatia da sociedade, tem sua parcela de responsabilidade nessa história.

Desperdício na agricultura
À semelhança do que ocorre com a maioria dos países, no Brasil a agricultura á o setor que mais consome água, representando 69% do consumo total do país – enquanto o uso doméstico urbano é responsável por 10%, a indústria, por 7% e a criação de animais, por 12%.

A irrigação é vital para agricultura na maior parte do planeta e em certas regiões do Brasil. Cerca de 18% das áreas cultivadas globalmente são irrigadas. Contudo, como elas costumam produzir mais de uma colheita por ano, sua participação na produção mundial de alimentos é proporcionalmente maior – até 44%.

Segundo o último Censo Agrícola, de 2006, o Brasil tem 4,6 milhões de hectares irrigados – relativamente pouco, em face da área plantada no país, em parte pelos custos envolvidos, em parte porque a prática só se difundiu aqui a partir dos anos 1970. Estima-se que no país haja em torno de 30 milhões de hectares de solos aptos para agricultura irrigada. No entanto, atualmente, pouco mais de 5% da área plantada é irrigada, o que corresponde a 16% do volume de alimentos e 35% do valor da produção.

Dependendo da região onde é praticada, a irrigação pode adotar modelos bastante diferentes. Nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, ela é mais comum em arrozais e plantações de grãos; tem crescido particularmente na cultura de soja do Centro-Oeste. No Nordeste, é praticada com pesado investimento governamental, visando ao desenvolvimento regional, e está concentrada na fruticultura, com destaque notável para o vale do São Francisco. No Norte, extremamente chuvoso, lavouras irrigadas são praticamente inexistentes.

As técnicas de irrigação variam bastante, e podem ser mais ou menos perdulárias. Muitas vezes, os agricultores promovem a inundação de seus campos ou constroem canais de água paralelos aos canteiros, tecnologias que promovem enorme desperdício de água. Não muito mais eficientes são os sistemas de aspersão, comuns no Brasil.

Dentre eles, está o pivô central, com uma haste aspersora que gira em torno de um eixo, molhando uma grande área circular. Em todos esses casos, as plantas só absorvem uma parte pequena de água. O resto evapora ou escorre para corpos d’água próximos. Muitas vezes, isso acaba promovendo erosão, salinização de água ou sua contaminação com agroquímicos. O aspersor é responsável por perdas de 25% a 50%.

Técnicas mais eficientes podem reduzir muito a quantidade de água necessária. Uma das principais é o sistema de gotejamento – um duto passa ao longo das raízes das plantas, pingando apenas a água necessária. Essa solução restringe as perdas para algo entre 5% e 15% da água, e aumenta a produtividade entre 20% e 90%, dependendo da cultura. Entretanto, em função do alto custo da implantação, a técnica ainda é muito pouco empregada no Brasil.

Desperdício na indústria
As indústrias utilizam a água de diversas maneiras: no resfriamento e na lavagem de seus equipamentos, como solvente ou ainda na diluição de emissão poluentes. Em termos globais, a indústria é responsável por 22% de toda a água doce consumida. Essa porcentagem é muito maior em países ricos – 59% – e bem menor nos países pobres – apenas 8%.

Alguns setores são especialmente perdulários nesse quesito. Um bom exemplo é o siderúrgico: na produção de uma tonelada de aço, são utilizados até 350 metros cúbicos de água. O consumo de água também é alto na produção de papel, em que cada tonelada de produto produzido gasta em torno de 80 a 2 mil metros cúbicos de água. Hoje, entretanto, indústrias de todo o mundo, inclusive brasileiras, têm procurado implantar novos processos e tecnologias para diminuir essa proporção.

Desperdício doméstico
De acordo com dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), atualmente, a população mundial usa 1,5 milhão de quilômetros cúbicos de água por ano sem necessidade. Um relatório do Banco Mundial, por sua vez, apresentou o desperdício por classe econômica. Os ricos gastam em média 1.167 metros cúbicos de água por ano, enquanto os pobres gastam 386 metros cúbicos. No Brasil, o consumo por habitante é de 187 litros diários por pessoa. Os desperdícios domésticos estão relacionados a hábitos como longos banhos ou lavagem de quintais, calçadas e carros com mangueiras.

O banheiro é onde há mais desperdício. A simples descarga de um vaso sanitário pode gastar até 30 litros de água, dependendo da tecnologia adotada. Uma das mais econômicas consiste numa caixa d’água com capacidade para apenas 6 litros, acoplada ao vaso sanitário. Sua vantagem é tanta que a prefeitura da Cidade do México lançou um programa de conservação hídrica que substituiu 350 mil vasos por modelos mais econômicos. As substituições reduziram de tal forma o consumo que seria possível abastecer 250 mil pessoas a mais. No entanto, muitas casas no Brasil têm descargas embutidas na parede, que costumam ter um altíssimo nível de consumo. O ideal é substituí-las por outros modelos.

O banho é outro problema. Quem opta por uma ducha com aquecimento central gasta até três vezes mais do que quem usa um chuveiro elétrico convencional. São gastos, em média, 30 litros a cada cinco minutos de banho.

Perdas de água
O consumidor – doméstico, industrial ou agrícola – não é o único esbanjador. De acordo com dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), referentes a 2012, 36,9% da água captada pelas companhias do setor se perde até chegar às torneiras, por causa de defeitos ou vazamentos. Os números relacionados a perdas no sistema ganharam relevância na crise da água em São Paulo deflagrada no início de 2014, quando o principal sistema de abastecimento da capital paulista, o Cantareira, atingiu os níveis mais baixos de sua história. Soube-se, então, que o estado (SP) conta com uma perda média de mais de 30%. A situação se repete em todo o país, que apresenta um alto índice de perdas: de 74,16%, no Amapá, a 19,65%, no Mato Grosso do Sul, conforme o Instituto Trata Brasil. A mesma instituição aponta que uma redução de 10% nas perdas representaria um acréscimo de 1,3 bilhão à receita das operações ligadas à água.

O desperdício não é uma exclusividade nacional. O Banco Mundial calcula que algo entre 25% e 30% da água distribuída no planeta seja perdido.

Fonte: Trata Brasil, com informações da Folha Vitória - Blogs